terça-feira, 18 de dezembro de 2012

PÂNICO (1996)



Bem-vindos ao Filmes de Terror & Filmes de Terror, o novo blog que vai analisar, comentar e avaliar os filmes pertencentes ao melhor gênero existente! Vamos começar com a série de filmes que, como muitos dizem, reinventou o gênero terror: a série Pânico. Hoje, analisaremos o primeiro deles. Com direção de Wes Craven e roteiro de Kevin Williamson, o filme foi lançado em 1996 e foi um incrível sucesso, dando nova vida ao cinema de terror. Por que será que o filme foi tão bem-sucedido? Vamos tentar entender:

Sinopse: uma pequena cidade no estado da Califórnia começa a ser ameaçada por um psicopata que liga para suas vítimas antes de liquidá-las, fazendo perguntas sobre filmes de terror e realizando jogos aterrorizantes. A jovem Sidney, cuja mãe foi assassinada um ano antes, logo percebe que é o alvo principal do assassino, e começa uma desesperada luta para sobreviver. Com a ajuda de seus amigos, do policial Dewey e da ambiciosa repórter Gale Weathers, ela passará por momentos de grande tensão para não ser a nova vítima do assassino, cuja identidade só é revelada ao final do filme. 

Eu tinha uns onze anos quando vi esse filme pela primeira vez. Fui à locadora procurando por um bom filme de terror, e a balconista sugeriu Pânico, que tinha acabado de ser lançado. Peguei e o levei para casa, e comecei a assisti-lo à noite, sozinho na sala. Confesso que foi difícil passar pela primeira cena; Drew Barrymore sendo ameaçada e psicologicamente torturada daquela maneira era, ao mesmo tempo, fantástico demais e terrível demais. A primeira cena de Pânico é, sem dúvida, uma das melhores cenas na história do terror. Primeiro porque Drew Barrymore é queridinha do cinema, e nunca esperávamos vê-la sendo esfaqueada de maneira tão brutal. Além disso, a maneira como a cena foi feita é incrivelmente criativa e bem construída. Eu me lembro que mal conseguia piscar, e meu coração estava acelerado a cada berro de Drew. Quando a primeira cena acabou, respirei fundo e me preparei para uma montanha-russa de sustos e emoções fortes. Sabia que estava começando a ver um dos filmes mais aterrorizantes de minha vida. E, adivinhem? Eu estava errado! 

Muitas pessoas podem querer me xingar depois de lerem o que eu estou escrevendo, mas o fato é que eu preciso desabafar: Pânico é ótimo, mas é um filme bastante parado! A primeira cena nos leva a um terror que havia muito não vivíamos no cinema. Porém, minutos depois nos deparamos com um filme mais pacato, com cenas não tão violentas e trama bem estruturada, mas bastante amena. A segunda cena de assassinato demora demais para acontecer. Quando acontece, deixa a desejar, e perde feio para a primeira cena com Drew Barrymore. O filme explora exaustivamente o drama de Sidney e sua relação com o namorado Billy, que acaba sendo o principal suspeito durante a trama. Muito se discute sobre quem pode ser o assassino, e as cenas exploram bastante o humor (fator que é o diferencial na série). A impressão, durante o filme, é que trabalharam pesado na primeira cena, mas esqueceram de construir a atmosfera de medo no restante do filme. Parecia que a primeira cena era de outro filme. 

Perto do final, os adolescentes fazem uma festa na casa de um deles. Obviamente, o psicopata mascarado se infiltra nessa comemoração e mata mais pessoas. Na verdade, mata somente uma integrante da festa, em uma cena que me causou mais risos do que tensão. A outra morte tem como vítima o câmera da repórter ambiciosa, o qual tem a garganta cortada (essa morte sim é legal). Nas outras cenas, Sidney foge do assassino e consegue escapar de todas suas tentativas de esfaqueamento. Aliás, o filme foca demais nas perseguições a Sidney, e deixa de lado outras mortes que poderiam ter deixado a trama mais tensa e mais sombria, mas que preferiram não fazer. Os sustos no filme acontecem na primeira cena, e desaparecem nas outras. Temos a sensação de que o filme é muito mais focado nas referências a outros longas de terror do que na preocupação de assustar os espectadores. Aliás, uma característica bem marcante na série Pânico são as referências ao cinema de horror (o que chamam de meta-linguagem). Bem, eu nunca me importei muito com isso, e acho essa tal de meta-linguagem profundamente dispensável, portanto nem vou detalhá-la. 

Nas próximas linhas, revelarei o final da trama, portanto parem de ler se ainda não assistiram ao filme.

Algo que eu achei bem construído durante o filme é o suspense acerca da identidade do assassino mascarado. Billy, o namorado de Sidney, é exposto como principal suspeito em muitos momentos. Em outros, alguns personagens cogitam que o pai de Sidney pode ter surtado com o aniversário da morte da esposa e começado a matar os jovens na cidade. Tudo é bem construído para que sempre nos perguntemos quem é o culpado. A cena final revela, então, que Billy é o assassino. Instantes depois, outra revelação: há um segundo assassino! É Stuart, amigo de Billy e Sidney, que é louco por filmes de terror (na verdade, louco em todos os sentidos). Os dois foram os responsáveis pelas mortes na cidade. Billy matou a mãe de Sidney um ano antes. Seu motivo: ela estava tendo um caso com o pai dele, e isso fez com que a mãe de Billy abandonasse a cidade, deixando o filho para trás. Gostei do motivo pelo qual ele ficou meio louco e começou a matar, e gostei também da brilhante atuação dos assassinos. O que não gostei foi a revelação em si. Billy tinha sido apontado como suposto assassino zilhões de vezes durante o filme. Sidney já tinha desconfiado dele zilhões de vezes também, e de repente ele surge como o assassino. Não gostei. Não foi inesperado. Não foi o final que eu esperava. 

Bem, na última cena nós temos um banho de sangue, e a trama resgata um pouco do que tinha conseguido na primeira cena. É o que eu sempre senti do filme Pânico: a primeira cena e a última cena são memoráveis e aterrorizantes, mas só. O resto do filme se arrasta em citações, referências a outros filmes e humor negro, mas deixa o terror para escanteio. Apesar disso, acho que a primeira cena conseguiu ser tão tensa e inesquecível que o filme se tornou uma referência ao cinema de horror. Sim, é exatamente isso! O filme Pânico só é o que é por causa da primeira cena! Isso é fato e ninguém pode negar! Se não fosse Drew Barrymore sendo mutilada na primeira cena, Pânico teria sido mais um filme de suspense. Apenas isso. A nota que dou abaixo se deve à primeira cena do filme!  

NOTA - 8.0  

Um comentário:

  1. O filme é bom. Não chega a ser o melhor.

    Não sou exigente quanto a cenas de assassinatos.

    Vejo mais o conteúdo do que essas cenas, e valorizo bem mais mortes com motivo do que mortes só para colocar mais cenas "fortes" nos filmes.

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