quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

PÂNICO 2 (1997)




Na primeira postagem deste blog, foi analisado o primeiro filme da série Pânico, que reinventou o gênero do terror a partir de 1996. Como normalmente acontece com sucessos de cinema, o filme teve uma sequência. Pânico 2 foi lançado em 1997, apenas um ano depois do primeiro filme. Novamente dirigido por Wes Craven e escrito por Kevin Williamson, o filme foi tão bem sucedido quanto seu antecessor, e recebeu críticas altamente positivas. As opiniões foram bem divididas: alguns diziam que tinha sido tão bom quanto o primeiro; outros alegavam que a sequência era boa, mas não superava o original; ainda havia aqueles que juravam que o segundo filme era bem melhor que o anterior. Qual será que é a opinião mais apurada? Vamos analisar o filme e descobrir:

Sinopse: o filme STAB (PUNHALADA), baseado nos assassinatos do primeiro Pânico, é lançado nos cinemas. Logo na noite de estreia, um casal é esfaqueado na sala de exibição, causando furor na mídia. Sidney, a sobrevivente do primeiro filme, logo desconfia que uma nova onde de assassinatos vai começar, e tal desconfiança se confirma quando uma estudante é brutalmente morta no campus. Não demora muito até que um novo assassino mascarado espalhe novamente o desespero, tendo Sidney como alvo principal mais uma vez. O policial Dewey e a ambiciosa repórter Gale Weathers, do primeiro filme, voltam nesse, assim como Randy, amigo de Sidney. Juntos, eles tentarão ajudá-la a descobrir quem é o assassino enquanto tentar escapar da morte.

Quando vi o pôster desse filme no cinema, anunciando que seria lançado em breve, eu tinha uns doze anos. Havia assistido ao primeiro Pânico pouco tempo antes, e fiquei imediatamente ansioso para conferir a sequência. Entretanto, Pânico 2 demorou mais de um ano para chegar aqui ao Brasil, sendo lançado apenas em 1999, quando eu tinha treze anos. Assim que soube que o filme estava nas salas de cinema, fiquei ansioso para ver, mas soube que a classificação dele era de quatorze anos. Fiquei furioso durante uma semana, mas encontrei uma sala de exibição em que a classificação era de doze anos, e fui assistir ao filme. Lembro-me bem de que fui com uma grande amiga minha e com a irmã dela, e nós três estávamos trêmulos para ver Pânico 2. Logo na primeira cena, já pudemos constatar que o filme seria fantástico. Jada Pinkett e Omar Epps entram em uma sala de cinema e começam a assistir ao filme Stab, baseado no massacre do primeiro filme. Não demora até que eles sejam brutalmente assassinados. E, quando digo brutalmente, não estou exagerando. Quando vi Pânico 2 pela primeira vez, a primeira cena me deixou paralisado, embrulhado em tensão. É difícil superar a cena do primeiro Pânico, em que Drew Barrymore é assassinada em sua casa; ainda assim, a primeira cena de Pânico 2 é igualmente brutal, principalmente quando a mocinha (Jada Pinkett) leva diversas facadas na sala de exibição, na frente de uma multidão de espectadores. Ao fim da primeira cena, sabia que estava prestes a ver um filme tenso, sombrio, cheio de sustos e assassinatos brutais. E, adivinhem: eu estava absolutamente certo!

Muitas pessoas podem não concordar comigo, mas o fato é que Pânico 2 é muito melhor que Pânico, e vou explicar os motivos. Na postagem anterior, descrevi com detalhes as razões que me levaram a criticar o primeiro filme. Para resumir, o primeiro filme abre com uma das cenas mais criativas e violentas da história do terror, e prepara o espectador para uma montanha-russa de emoções. Depois disso, o filme fica morno e enrola demais, demorando muito para mostrar outros assassinatos. Aliás, além dos dois primeiros assassinatos (os da primeira cena do filme), somente uma outra cena de morte é razoável. O filme termina em um banho de sangue, mas tive a impressão de que trabalharam tanto para fazerem a primeira cena e a última ficarem boas que o restante do filme ficou bastante tedioso. Já Pânico 2 acerta onde o primeiro errou feio. A primeira cena choca, e o filme não desacelera até o final. A segunda cena de assassinato acontece poucos minutos depois da primeira, e é um show à parte! Nela, Sarah Michelle Gellar é aterrorizada ao telefone na enorme casa da irmandade. Aliás, é a mesma casa usada no filme Matilda, mas essa informação é meio inútil. Não vou contar a cena inteira, mas posso dizer que essa parte do filme se tornou uma das mais famosas da história do terror. Por falar nisso, as cenas de assassinato de Pânico 2 são mil vezes melhores que as do primeiro filme.

Chegamos, agora, à parte mais delicada dessa postagem. Tentarei escrevê-la com o máximo de cuidado, pois qualquer palavra inadequada pode não fazer justiça à qualidade da cena que vou mencionar. Trata-se de uma das cenas mais tensas que já presenciei em filmes de terror. Uma das mais tensas, sombrias, assustadoras e criativas que eu já vi. Nela, Sidney e Hallie, sua melhor amiga, tentam escapar do assassino mascarado. Até aí, nada de especial, já que em toda a série Pânico nossa heroína tenta escapar do psicopata. O que faz dessa cena tão maravilhosa é a maneira como a construíram. Sidney e Hallie estão presas em um carro de polícia, e o maníaco mascarado está na direção, desmaiado. A única maneira de as duas saírem do carro é passarem por cima do assassino, sem a certeza de que ele está realmente inconsciente. Adrenalina pura! Tudo é tão bem estruturado nessa parte do filme! A trilha, a interpretação de Neve Campbell, a fotografia da cena! Tudo! Lembro-me de que, enquanto essa cena era exibida, os espectadores se encolhiam em suas poltronas, embrulhados em pânico e tensão. Para quem não viu o filme, digo apenas uma coisa: VEJA!

Nesse filme, temos novamente aquelas referências a outros filmes de terror, mas eu não me importo nada com isso, portanto não me aprofundarei nesse aspecto. Quando vejo um filme de terror, tudo que busco são cenas de tensão, sustos, assassinatos criativos e personagens interessantes, e tudo isso transborda em Pânico 2! Por falar em personagens, vamos falar sobre o final do filme. Peço que parem de ler as pessoas que nunca viram esse filme, pois revelarei a identidade do assassino e algumas outras surpresas:

Assim como no primeiro filme, o suspense é bem construído ao longo de toda a trama, fazendo com que os espectadores se perguntem quem é o psicopata a todo minuto. Algo de que não gostei no primeiro filme foi a revelação dos assassinos: Billy, o namorado de Sidney, era o grande assassino, e seu amigo Stuart o ajudava em seus crimes. Em Pânico 2, o novo namorado de Sidney é tido como principal suspeitos em muitas cenas. Obviamente, não seria nada interessante se novamente o namorado da heroína fosse o grande criminoso, e felizmente isso não acontece. Ao final do filme, Sidney é levada ao teatro da universidade em que estuda. Logo ela percebe que caiu em outra armadilha, e não consegue mais sair de lá. O assassino aparece, e se revela. Mickey, um dos amigos de Sidney, fanático por filmes de terror, tira a máscara e confessa seus crimes, além de matar o namorado de Sidney na frente dela. Até aí, nada de surpreendente. Mickey aparece em algumas partes do filme, mas não chega a ser um personagem tão marcante. O que faz com que o final do filme seja tão apaixonante é a segunda surpresa. Assim como no primeiro filme, há dois assassinos! Mickey revela que alguém o ajudou nos crimes, e logo o segundo criminoso entra em cena. Nesse momento, vemos a repórter Debbie Salt entrar no palco, apontando um revólver para Gale Weathers. Debbie Salt aparece em poucas cenas do filme, sempre desengonçada e ávida por um furo de reportagem. O que nenhum espectador esperava, no entanto, era que Debbie Salt é, na verdade, mãe de Billy Loomis, o assassino do primeiro filme! Isso é maravilhoso! Esse é um tipo de suspense que, para mim, funciona muito melhor do que a trama do primeiro filme! Debbei Salt quase não aparece no filme, e fica praticamente no nosso esquecimento. Ao final do filme, ela reaparece, revelando-se uma mulher lunática em busca de vingança. Para mim, essa revelação foi extraordinária!

A última cena do filme é bastante tensa, e em muitos momentos sentimos que Sidney vai acabar morrendo. Ainda assim, ela é salva e consegue acabar com a vida dos assassinos. Gale Weathers, que leva um tiro, também sobrevive, tendo apenas algumas costelas quebradas. O policial Dewey, que foi esfaqueado nas costas, sobrevive também. Pânico 2 tem humor, assim como o primeiro, mas não foca nisso. É infinitamente mais sombrio e tenso, e se torna superior a Pânico. Muitas pessoas dizem que o segundo não é tão marcante quanto o primeiro. Isso, no entanto, é inevitável. O primeiro filme foi a novidade, e nos trouxe o impacto de Drew Barrymore (grande queridinha do cinema) sendo esfaqueada na primeira cena. O segundo não foi mais novidade, mas conseguiu manter a qualidade e superou quando nos trouxe cenas mais violentas, sustos mais frequentes e atmosfera muito mais tensa. A nota é mais do que merecida!

NOTA - 10.0

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

PÂNICO (1996)



Bem-vindos ao Filmes de Terror & Filmes de Terror, o novo blog que vai analisar, comentar e avaliar os filmes pertencentes ao melhor gênero existente! Vamos começar com a série de filmes que, como muitos dizem, reinventou o gênero terror: a série Pânico. Hoje, analisaremos o primeiro deles. Com direção de Wes Craven e roteiro de Kevin Williamson, o filme foi lançado em 1996 e foi um incrível sucesso, dando nova vida ao cinema de terror. Por que será que o filme foi tão bem-sucedido? Vamos tentar entender:

Sinopse: uma pequena cidade no estado da Califórnia começa a ser ameaçada por um psicopata que liga para suas vítimas antes de liquidá-las, fazendo perguntas sobre filmes de terror e realizando jogos aterrorizantes. A jovem Sidney, cuja mãe foi assassinada um ano antes, logo percebe que é o alvo principal do assassino, e começa uma desesperada luta para sobreviver. Com a ajuda de seus amigos, do policial Dewey e da ambiciosa repórter Gale Weathers, ela passará por momentos de grande tensão para não ser a nova vítima do assassino, cuja identidade só é revelada ao final do filme. 

Eu tinha uns onze anos quando vi esse filme pela primeira vez. Fui à locadora procurando por um bom filme de terror, e a balconista sugeriu Pânico, que tinha acabado de ser lançado. Peguei e o levei para casa, e comecei a assisti-lo à noite, sozinho na sala. Confesso que foi difícil passar pela primeira cena; Drew Barrymore sendo ameaçada e psicologicamente torturada daquela maneira era, ao mesmo tempo, fantástico demais e terrível demais. A primeira cena de Pânico é, sem dúvida, uma das melhores cenas na história do terror. Primeiro porque Drew Barrymore é queridinha do cinema, e nunca esperávamos vê-la sendo esfaqueada de maneira tão brutal. Além disso, a maneira como a cena foi feita é incrivelmente criativa e bem construída. Eu me lembro que mal conseguia piscar, e meu coração estava acelerado a cada berro de Drew. Quando a primeira cena acabou, respirei fundo e me preparei para uma montanha-russa de sustos e emoções fortes. Sabia que estava começando a ver um dos filmes mais aterrorizantes de minha vida. E, adivinhem? Eu estava errado! 

Muitas pessoas podem querer me xingar depois de lerem o que eu estou escrevendo, mas o fato é que eu preciso desabafar: Pânico é ótimo, mas é um filme bastante parado! A primeira cena nos leva a um terror que havia muito não vivíamos no cinema. Porém, minutos depois nos deparamos com um filme mais pacato, com cenas não tão violentas e trama bem estruturada, mas bastante amena. A segunda cena de assassinato demora demais para acontecer. Quando acontece, deixa a desejar, e perde feio para a primeira cena com Drew Barrymore. O filme explora exaustivamente o drama de Sidney e sua relação com o namorado Billy, que acaba sendo o principal suspeito durante a trama. Muito se discute sobre quem pode ser o assassino, e as cenas exploram bastante o humor (fator que é o diferencial na série). A impressão, durante o filme, é que trabalharam pesado na primeira cena, mas esqueceram de construir a atmosfera de medo no restante do filme. Parecia que a primeira cena era de outro filme. 

Perto do final, os adolescentes fazem uma festa na casa de um deles. Obviamente, o psicopata mascarado se infiltra nessa comemoração e mata mais pessoas. Na verdade, mata somente uma integrante da festa, em uma cena que me causou mais risos do que tensão. A outra morte tem como vítima o câmera da repórter ambiciosa, o qual tem a garganta cortada (essa morte sim é legal). Nas outras cenas, Sidney foge do assassino e consegue escapar de todas suas tentativas de esfaqueamento. Aliás, o filme foca demais nas perseguições a Sidney, e deixa de lado outras mortes que poderiam ter deixado a trama mais tensa e mais sombria, mas que preferiram não fazer. Os sustos no filme acontecem na primeira cena, e desaparecem nas outras. Temos a sensação de que o filme é muito mais focado nas referências a outros longas de terror do que na preocupação de assustar os espectadores. Aliás, uma característica bem marcante na série Pânico são as referências ao cinema de horror (o que chamam de meta-linguagem). Bem, eu nunca me importei muito com isso, e acho essa tal de meta-linguagem profundamente dispensável, portanto nem vou detalhá-la. 

Nas próximas linhas, revelarei o final da trama, portanto parem de ler se ainda não assistiram ao filme.

Algo que eu achei bem construído durante o filme é o suspense acerca da identidade do assassino mascarado. Billy, o namorado de Sidney, é exposto como principal suspeito em muitos momentos. Em outros, alguns personagens cogitam que o pai de Sidney pode ter surtado com o aniversário da morte da esposa e começado a matar os jovens na cidade. Tudo é bem construído para que sempre nos perguntemos quem é o culpado. A cena final revela, então, que Billy é o assassino. Instantes depois, outra revelação: há um segundo assassino! É Stuart, amigo de Billy e Sidney, que é louco por filmes de terror (na verdade, louco em todos os sentidos). Os dois foram os responsáveis pelas mortes na cidade. Billy matou a mãe de Sidney um ano antes. Seu motivo: ela estava tendo um caso com o pai dele, e isso fez com que a mãe de Billy abandonasse a cidade, deixando o filho para trás. Gostei do motivo pelo qual ele ficou meio louco e começou a matar, e gostei também da brilhante atuação dos assassinos. O que não gostei foi a revelação em si. Billy tinha sido apontado como suposto assassino zilhões de vezes durante o filme. Sidney já tinha desconfiado dele zilhões de vezes também, e de repente ele surge como o assassino. Não gostei. Não foi inesperado. Não foi o final que eu esperava. 

Bem, na última cena nós temos um banho de sangue, e a trama resgata um pouco do que tinha conseguido na primeira cena. É o que eu sempre senti do filme Pânico: a primeira cena e a última cena são memoráveis e aterrorizantes, mas só. O resto do filme se arrasta em citações, referências a outros filmes e humor negro, mas deixa o terror para escanteio. Apesar disso, acho que a primeira cena conseguiu ser tão tensa e inesquecível que o filme se tornou uma referência ao cinema de horror. Sim, é exatamente isso! O filme Pânico só é o que é por causa da primeira cena! Isso é fato e ninguém pode negar! Se não fosse Drew Barrymore sendo mutilada na primeira cena, Pânico teria sido mais um filme de suspense. Apenas isso. A nota que dou abaixo se deve à primeira cena do filme!  

NOTA - 8.0